11 histórias e lendas do cemitério de Recoleta em Buenos Aires


O Cemitério de Recoleta é o mais aristocrático de Buenos Aires. 

E por ficar em um bairro muito turístico acaba sendo o mais visitado da cidade e, como todo bom cemitério, guarda umas histórias e lendas curiosas e outras bem assustadoras. 

Vou te contar algumas que eu achei:




RUFINA CAMBACERES 

A primeira das histórias é a da conhecida “Dama de Blanco” de Recoleta.

E corresponde à trágica morte de Rufina Cambaceres, filha do escritor Eugenio Cambaceres e da bailarina italiana Luisa Baccichi (“La Bachicha”). 

Mãe e filha ficaram sozinhas depois da morte do escritor e por serem membros da alta sociedade do final do século XIX, a italiana chegou a ser “la querida” do futuro presidente Hipólito Yrigoyen.

Um dia, Rufina foi encontrada morta e aqui aparecem as lendas: 

Uma conta que Luisa (a mãe) mantinha relações secretas com o namorado da Rufina e que a sua melhor amiga quando lhe deu a notícia ela caiu morta de desgosto (oi?).

Em um livro de Victoria Azurduy figura uma versão um tanto quanto escalofriante: 

Luisa e seu amante don Hipólito subministravam um sonífero à sua filha para poder encontrar-se clandestinamente. 

Uma noite eles passaram a dose e Rufina entrou em um coma profundo, do qual despertou na sua tumba.

Uma terceira variante da historia conta que Rufina conseguiu sair da sua tumba (já que os caixões aqui não são enterrados) e, que ao encontrar-se sozinha e de noite em pleno cemitério, morreu de um ataque cardíaco. 

Nesse ponto há quem diga que o caixão foi encontrado aberto.

Oficialmente se acredita que tentaram roubar as joias que a morta usava quando foi enterrada.

Sua mãe carregou o peso na consciência de saber que sua filha foi enterrada viva enquanto sofria um quadro de catalepsia, a doença mais temida da época, e que ao despertar e verse em um caixão o susto lhe provocou um ataque cardíaco.

Rufina Cambaceres se conhece como a mulher que morreu duas vezes. 

Em sua tumba tem uma estátua de uma bela mulher que aferra sua mão à maçaneta da tumba tratando de abri-la inutilmente. 

Se diz que o espírito despeitado de Rufina perambula o cemitério enquanto tenta conter a dor que lhe causou saber do romance de sua mãe e seu prometido.



LILIANA CROCIATI

Ela faleceu durante sua lua de mel aos 20 anos de idade em Innsbruck, Áustria, em 1970. 

Uma avalanche caiu sobre o hotel onde se hospedavam ela e seu esposo.

A família lhe construiu um luxuoso templo neogótico, “com detalhes que a ela lhe encantaria”. 

Assim descreve o autor do luxuoso templo:
“Uma sala enorme com uma espécie de living onde se localiza o féretro, coberto por um sahri que Liliana tinha comprado na Índia. Estão suas fotos, uma pintura a óleo pintada por uma amiga e na porta uma escultura que a representa em vida, com um vestido e o cabelo comprido, acompanhada por seu cachorro, Sabú”.

Se bem ambos foram sepultados pela avalanche, somente Liliana faleceu, o viúvo viveu até 1996. 

A tumba de Liliana está sempre cuidada pelo pessoal do cemitério e seus pais a enchem de flores de todo tipo, como gostaria sua filha.

De vez em quando, dizem que um personagem misterioso deixa um ramo de flores, mas nunca se deixa ver, porque escapa quando se aproxima algum vigia ou cuidador do cemitério.




LUZ MARÍA GARCÍA VELLOSO

Faleceu aos 15 anos de leucemia, em 1925.

A ela se lhe atribui também o nome de a “Dama de Blanco” e a lenda urbana mais conhecida do mundo: 

A menina que sai para dançar, conhece um jovem que se sente muito atraído por ela e se gostam muito. 

Ele lhe empresta a jaqueta para amenizar o frio e ela mancha de café. 

O rapaz deixa a jaqueta com a promessa de ir buscá-la depois, usando o velho truque para voltar a vê-la, e ao passar na casa dela para buscar a roupa, a mãe informa que ela morreu e está enterrada em Recoleta.

O jovem não só encontra a tumba, senão que para sua surpresa e espanto, vê sobre o féretro sua jaqueta manchada de café. 

Versões contam que o rapaz enlouquece e outras que sai desesperado e  horrorizado pela traumática imagem. 

Algumas alternativas à história precedem a parte da visita à mãe e dizem que uma vez terminado o encontro, a jovem se dirige diretamente ao cemitério depois de terminar a noite.

Momento o qual ele se dá conta que é um espectro, depois de segui-la e constatar que ela se funde entre as tumbas. 

A  tumba de Luz María a representa dormindo, e se diz que sua mãe dormiu ali a seu lado por um tempo, durante os primeiros momentos depois da morte da Luz. 




DAVI ALLENO

Cuidador do cemitério, quem economizou toda sua vida para poder construir a sua própria tumba no local. 

E conta-se que ele se suicidou só para estrear o local.



MIGUEL HAINES, o nobre esquecido.

Perdidos para sempre descansam os restos de Miguel Haines, neto do rei Jorge IV da Inglaterra. 

Seu pai, filho natural do monarca, chegou ao Uruguai durante as invasões inglesas. Seu filho veio a Buenos Aires. 

Aos 20 anos, cego depois de uma falida operação na  Europa. 

Na sua morte foi enterrado no setor 3 do cemitério, mas por um descuido durante uma reforma em  1880 os restos desapareceram para sempre. 

Dizem que pela noite é possível ver um velho que perambula pelo cemitério e que claramente veste roupas da época do seu falecimento.

E que quando se aproximam o espectro desaparece e que seguramente se trata do espírito do desaparecido. 





ISABEL ELVIRA, a neta de Napoleão.

Em 1847 chegou à Argentina o conde Alexandre Walewski, filho de uma amante do Imperador, à semana de chegar, sua esposa deu a luz a uma débil e enferma criança a qual batizaram Isabel Elvira. 

O General Rosas ordenou que fosse atendida pelos melhores médicos, mas os esforços resultaram infrutíferos e aos poucos dias a menina faleceu. 

Tempo depois a esposa de Walewski regressou à França, mas decidiram deixar os restos mortais da menina que descasam na tumba da sua madrinha, Mariquita Sánchez de Thompson, ainda que não há nenhuma placa que a recorde.

Os cuidadores comentam que certas noites se pode ouvir o choro de um bebê nessa tumba 

E alguns contam que se um for suficientemente valente para se aproximar, pode ver a pequena Isabel chorando nos braços da sua madrinha.




JUAN ALBERTO LARTIGAU, a mais comovedora das esculturas.

O mausoléu onde descansam os restos do jovem Juan Alberto Lartigau, (secretario do Chefe de Polícia Ramón Falcón), recria a fatalidade do ato anárquico que levou ambos a morte. 

É a mais comovedora das esculturas. 

Nela podemos apreciar o corpo sem vida de um jovem nos braços de sua mãe e a figura na parte superior, simbolizando a fatalidade, com seu punho fechado em um gesto de raiva e impotência pela perda de uma vida tão jovem.




EVA PERÓN, o mausoléu mais visitado.

O mausoléu da família Duarte é o mais visitado, já que a personagem de Eva Duarte desperta a curiosidade de acudir ao lugar onde finalmente depois de alguns anos de falecida e do seu cadáver ter perambulado por diferentes lugares seu corpo finalmente logrou descanso eterno. 

Na porta de acesso sempre existem oferendas de flores e cartas de todos aqueles que a admiraram. 

Guarde a imagem senão você passa direto porque apesar de ser o mais visitado, não é muito fácil de achar.



 GRAL TOMÁS GUIDO, ao mausoléu mais original.

Em forma de gruta. 

Aqui descansou o Gral. Tomás Guido, até o centenário de sua morte, quando seus restos foram trasladados à Catedral, junto a seu imortal companheiro, o Gral. José de San Martín. 

Esta tumba foi construida por um de seus filhos, o poeta Carlos Guido Spano, com suas próprias mãos, em homenagem a seu pai, símbolo da humildade com a que sempre viveram.



DORREGO ORTIZ BASUALDO, a tumba mais cara.

É considerada a mais grandiosa das tumbas. 
Foi construida em forma de capela, de estilo francês e possui uma grande simbologia. 
A escultura realizada em mármore recria uma cena de "La parábola de las vírgenes prudentes y las vírgenes necias" (do escultor italiano Giovanni Villa). 

O candelabro de sete braços é comum para a religião católica como para a judia, com diferente simbologia. 

Neste caso, se observa uma cruz latina com o emblema dos 4 evangelhos em seus extremos, o que nos indica que os donos são católicos e neste caso, esse candelabro simboliza a luz divina e a salvação. 




SALVADOR MARÍA DEL CARRIL, a raiva que perdurou a eternidade.

Vice presidente do Gral. Urquiza, homem bastante duro tanto em questões políticas como na vida conjugal. 

Por meio de uma carta pública que mandou aos jornais, comunicou aos credores de sua mulher que não pensava se fazer cargo de suas dívidas. 

Sua esposa (Tiburcia Dominguez) decidiu não voltar a falar com ele. Durante 21 anos conviveram dessa maneira. 

Quando ele morreu, ela construiu um dos monumentos “mais formidáveis” do prédio. 

Del Carril está sentado olhando para o sul.

Quinze anos depois, como última desejo, ela pediu que seu busto fosse colocado de costas para ele. 

Uma mostra em mármore de como havia sido a vida em comum. 

A raiva foi tão grande, que ela solicitou que o dia em que falecesse, sua escultura ficasse na posição que se encontra, onde se os vê dando as costas porque seguiria enojada com ele, ainda depois da morte.

Saiba porque visitar turisticamente um cemitério.

Veja o vídeo sobre o cemitério e as 11 histórias e lendas 


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CONVERSATION

1 comentários:

  1. O Cemitério da Recoleta em Buenos Aires é realmente um lugar fantástico, cheio de histórias, de lendas.Vale a pena conhecê-lo, mas vá com tempo...tem muita coisa prá ver

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